Desafios para cozinhas étnicas no Brasil

Ainda que o Brasil já tenha um bocado de cidades com mais de um milhão de habitantes, muitas ainda se mantém fechadas e bairristas, gastronomicamente falando. Abundam os estabelecimentos italianos, pizzarias e japoneses, sobretudo na região metropolitana de São Paulo.

Quem tem algum dinheiro para investir em um negócio, quer mais é garantir que seus planos deem certo. Só que sempre tem aquele mais ousado ou visionário que enxerga potencial econômico em algo que ainda não vingou. Que o diga o pioneiro China in Box, que desenvolveu uma cozinha chinesa para brasileiro, e ainda que seja um sucesso até hoje, acabou deturpando um pouco o conceito dessa rica gastronomia por aqui.

O mais seguro é, na maioria das vezes, ampliar a oferta de produtos que os clientes já estão acostumados e buscar maneiras para se diferenciar (qualidade, quantidade, atendimento, preço, ambiente instagramável e por aí vai). Ninguém garante que será certeza de sucesso, afinal muitos outros fatores influenciam o desempenho do negócio. Mas nesses casos, há uma preocupação a menos: ninguém vai precisar ensinar seu cliente como ele deve consumir o seu produto.

E é aqui que o bicho pega para os que empreendem em gastronomias ainda pouco exploradas por aqui. Antes de qualquer coisa, é preciso realizar uma boa pesquisa a respeito do perfil de público que se pretende atender. Quanto mais se conhece o cliente, maiores são as chances de conhecer os limites desse público, se saber o quão abertos estão para a nova experiência gastronômica que se propõe.

O custo de se conhecer pouco sobre quem deseja como cliente pode ser caro: fica mais difícil chegar até ele, e mais difícil ainda saber o que ele precisa ou deseja. Na melhor das hipóteses, um outro público pode se identificar e se tornar cliente (e o negócio segue), enquanto o desejado sequer cogita conhecer a sua proposta. É nítido – e triste – quando se visita um restaurante que ‘joga para todos os lados’. Assim como nas pessoas, a personalidade é importante.

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Do mesmo jeito que o estabelecimento precisa refletir sobre o seu perfil ideal de público, precisa também olhar para si e identificar seus próprios limites quanto à adaptações e proposta oferecida. Uma maneira de se obter ajuda com isso é realizando uma boa análise do ambiente, considerando o público que vive e transita ao redor. Saber como vivem, trabalham e se divertem. Se o fazem com familiares ou amigos, qual a faixa etária deles e o que pensam sobre o seu produto/serviço. Conhecer os concorrentes também é essencial. Reunir algumas perguntas simples com formulários online ou com o bom e velho papelzinho podem ser muito úteis para conhecer melhor os frequentadores do seu restaurante.

Fazendo isso, é possível sentir como sua marca/produto se posiciona com este público. Como eles enxergam o seu negócio e em quais circunstâncias cogitam comprar o seu produto. Também dá para sentir se o público atingido é o desejado. Se tudo isso já estiver dentro do que era esperado, ótimo! Do contrário, será necessário se debruçar sobre um plano de marketing , que antes, deve responder algumas perguntas: como quero que meu estabelecimento seja reconhecido pelo mercado? Quais são as características que mais valorizo no meu negócio? Preconizo fidelidade às tradições ou abertura às influências regionais? Que tipo de cliente quero ter? Foodies jovens e interessados em culturas diversas ou estudantes que pouco se preocupam com tradições?

A partir das respostas, é hora de agir. Com o objetivo definido, fica mais fácil estabelecer metas simples que podem ser realizadas aos poucos ( como por exemplo, ampliar a lista de mailing, criar um programa de fidelização, criar conteúdo sobre a origem e curiosidades sobre a gastronomia oferecida, atrair o interesse de público/crítica especializada, criar um festival mensal para atrair novos clientes, etc).

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